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quinta-feira, novembro 20, 2003

PENSAMENTO DO DIA 

A melhor maneira de parar é seguir uma ideia fixa

quarta-feira, novembro 19, 2003

LET IT BE: A OBRA MALDITA DOS BEATLES 


LET IT BE: Two Of Us (3:36) – Dig A Pony (3:54) – Across The Universe (3:48) – I Me Mine (2:25) – Dig It (0:51) - Let It Be (4:03) – Maggie Mae (0:39) – I’ve Got A Feeling (3:37) – One After 909 (2:55) – The Long And Winding Road (3:37) – For You Blue (2:32) – Get Back (3:07)


LET IT BE… NAKED: Get Back (2:34) – Dig A Pony (3:38) – For You Blue (2:28) – The Long And Winding Road (3:34) – Two Of Us (3:21) – I’ve Got A Feeling (3:30) – One After 909 (2:44) – Don’t Let Me Down (3:19) – I Me Mine (2:21) – Across The Universe (3:38) – Let It Be (3:54)


Trinta e três anos depois a maldição parece continuar a existir – ao contrário do que a publicidade insiste em dizer, esta não é a versão “despida” do album original (as diferenças vão um pouco mais além da eliminação dos arranjos de Phil Spector...) nem muito menos a “melhor” versão. Mas vamos por partes, e recuemos um pouco no tempo.

Outubro de 1968: Acabadas as gravações dos temas que iriam constituir o chamado White Album, John Lennon começou a sentir a necessidade de simplificar os meios de produção e o desejo de gravar um album à moda antiga, com um som directo e básico, sem quaisquer efeitos de estúdio. Paul concordou indo ainda um pouco mais longe: e porque não filmar os Beatles em estúdio a gravarem o novo album? Meu dito meu feito, e as filmagens começaram no dia 2 de Janeiro de 1969 para virem a terminar a 30 desse mês com a famosa actuação no telhado dos estúdios da Apple, em Saville Row.

Devendo inicialmente chamar-se “Get Back”, o album seria constituído pelos seguintes temas: One After 909, Save The Last Dance For Me, Don’t Let Me Down, Dig A Pony, I’ve Got A Feeling, Get Back, For You Blue, The Walk, Teddy Boy, Two Of Us, Maggie Mae, Dig It, Let It Be e The Long And Winding Road.
Allen Klein, que tinha sido contratado no início de Fevereiro para tomar conta dos negócios dos Beatles, sugeriu que o filme, já rodado em 16 mm, fosse convertido para 35 mm, o que possibilitaria a sua passagem nos cinemas e não apenas na televisão. Assim, o album, que funcionaria como uma espécie de banda sonora, deveria aguardar a conclusão do trabalho para ser lançado simultâneamente com o filme.

Entretanto diversos factos vão acontecendo na vida dos 4 Beatles: Paul casa-se com Linda Eastman a 12 de Março e vai para a América em lua-de-mel; John segue-lhe o exemplo uma semana depois, desposando Yoko Ono em Gibraltar e iniciando de imediato o célebre bed-in em Amsterdam; Ringo começa a filmar “The Magic Christian”; George vai tocando em diversos albuns (de Jack Bruce, dos Cream, de Billy Preston); Paul produz o 1º album de Mary Hopkin (“Post Card”); John e Yoko começam a gravar temas para um segundo album experimental (“Unfinished Music nº 2: Life With The Lions”) e promovem a difusão, um pouco por todo o lado, do filme “Rape”, também ele experimental; são editados mais dois singles dos Beatles: “Get Back/Don’t Let Me Down” a 11 de Abril e “The Ballad of John and Yoko/Old Brown Shoe” a 30 de Maio.

Tudo isto vai esmorecendo o interesse pelos temas gravados durante todo o mês de Janeiro (que seriam em breve difundidos em inúmeras edições pirtas) e em Junho os Beatles iniciam as gravações daquele que viria ser a sua derradeira coroa de glória, o magnífico “Abbey Road”.

Dada a falta de tempo, John Lennon convida o produtor Phil Spector a criar um novo album a partir das gravações de Janeiro, alterando o nome para “Let It Be”. Spector inicia então uma pesquisa por dezenas de horas de gravações (cada tema tinha variadissimas versões), dando largas aos seus excessos criativos. O produto final acaba por ficar pronto apenas depois dos Beatles editarem “Abbey Road” a 26 de Setembro. E a primeira edição, especial (numa caixa com um livro), é editada já em 1970, no dia 8 de Maio, um mês depois de Paul ter anunciado a dissolução do grupo. As vendas não são famosas e seis meses depois, a 6 de Novembro, o album é re-editado, agora já sem o livro.

Ao longo dos anos “Let It Be” ficou sempre ligado à tristeza da separação e com o estigma do album rejeitado, do “filho ilegítimo”. E pelos vistos continua, pois o agora editado “Let It Be... Naked” (péssimo título para uma capa também ela vergonhosa) está longe de agradar a gregos e a troianos. Mas vejamos então as diferenças. De um modo geral, pode dizer-se que o som proveniente da nova remasterização é bastante superior ao original. Só que… as faixas não são exactamente as mesmas. “Maggie Mae” e “Dig It” (que funcionavam mais como separadores do que como verdadeiras canções) desapareceram, dando lugar a "Don’t Let Me Down”, na versão tocada no telhado da Apple Studios e que está a anos-luz da versão de estúdio editada em single. Todos os temas incluídos em “... Naked” são de duração inferior à do album original, em virtude de todas as introduções e finais terem sido inexplicavelmente abolidos. Não se entende muito bem esta decisão, até porque se tratava de uma imagem de marca do album original. “Get Back”, que até tem agora um som magnífico, soa como inacabada – já não termina com John a dizer “I’d like to say thank you on behalf of the group and ourselves. I hope we’ve passed the audition” e falta-lhe o verso final incluído na versão de estúdio. “The Long and Winding Road” é uma gravação completamente diferente (julgo que se trata da versão incluída no filme). Neste caso particular penso que Phil Spector conseguiu entender melhor que ninguém o tipo de canção que tinha entre mãos; e a introdução das cordas e dos coros veio efectivamente a enriquecer o tema, dando-lhe aquela áurea de grandiloquência do album original. Nesta versão agora editada em “... Naked”, a voz de Paul não está tão segura e o acompanhamento pura e simplesmente não resulta. Chega a parecer um ensaio para a encenação final. “Across The Universe” , pelo contrário, consegue soar bastante melhor sem os arranjos de Spector mas fica muito aquém da versão editada originalmente no album de beneficiência “No One’s Gonna Change Our World” (a mesma que figura no cd “Past Masters 2”), em Dezembro de 1969. Iniciando-se e terminando com sons de pássaros a esvoaçarem no sistema stereo, a canção tinha um trio de coros (Paul e duas vozes femininas) e um arranjo que acentuava muito mais o lado onírico da canção. “I’ve Got A Feeling” é uma nova edição, que junta duas versões diferentes, ambas tocadas no sessão do telhado e que soa também muito melhor do que o original. Finalmente “Let It Be”, que é practicamente a versão editada em single com o som bastante melhorado. Quanto aos restantes 5 temas as gravações são as mesmas do album “Let It Be”, apresentando apenas as diferenças já referidas.

No final fica a sensação que muito mais poderia ter sido feito para reabilitar “Let It Be”. Deste modo, ficou-se apenas a meio caminho. Talvez num futuro próximo, quando toda a obra dos Beatles for de novo reeditada (num muito provável formato SACD) se faça finalmente justiça.

terça-feira, novembro 18, 2003

BEIJO 


Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no de abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mas beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
E dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.

(Jorge De Sena in "Exorcismos", 1972)

quarta-feira, novembro 12, 2003

SONDAGENS 

Parece que os portugueses estão muito animados com a adesão a uma constituição europeia única – segundo uma recente sondagem, cerca de 90 % dos inquiridos dão o seu inequívoco SIM! Só que..., só que na mesma sondagem, vem lá também uma alíneazita com uma interessante conclusão: desses mesmos portugueses, mais de 50 % não faz a mínima ideia do que seja essa coisa da constituição europeia...!
Enfim, que dizer deste país à beira-mar plantado? Não parece terem já passado quase 30 anos desde Abril 25. Continuamos um bando de analfabetos e provincianos em que o que vem lá de fora é que é bom, independentemente do que quer que de lá venha...
Se calhar a solução passaria mesmo pela preconizada pelo Saramago na sua jangada de pedra. Mas eu iria mais longe ainda: deixava ficar a Espanha sossegada, lá bem agarradinha à Europa e só o rectângulo luso se faria ao mar. Mas para não encalhar, para continuar sempre a navegar – teria a enorme vantagem de ninguém saber do nosso paradeiro e escaparmos assim às sondagens...

domingo, novembro 09, 2003

ESCUTA PERMANENTE 

THE CLOSEST THING TO CRAZY
(Mike Batt)

How can I think I'm standing strong,
Yet feel the air beneath my feet?
How can happiness feel so wrong?
How can misery feel so sweet?
How can you let me watch you sleep,
Then break my dreams the way you do?
How can I have got in so deep?
Why did I fall in love with you?

CHORUS:

This is the closest thing to crazy I have ever been
Feeling twenty-two, acting seventeen,
This is the nearest thing to crazy I have ever known,
I was never crazy on my own:
And now I know that there's a link between the two,
Being close to craziness and being close to you.

How can you make me fall apart
Then break my fall with loving lies?
It's so easy to break a heart;
It's so easy to close your eyes.
How can you treat me like a child
Yet like a child I yearn from you?
How can anyone feel so wild?
How can anyone feel so blue?

CHORUS


LEARNIN' THE BLUES

(Dolores Silver)

The tables are empty
the dance floor's deserted
You play the same love song
it's the tenth time you've heard it
That's the beginning - just one of the clues
You've had your first lesson
in learnin' the blues

The cigarettes you light
one after another
Won't help you forget her
and the way that you love her
You're only burning
a torch you can't lose
But you're on the right track
for learnin' the blues

When you're at home alone
the blues will taunt you - constantly
When you're out in a crowd
the blues will haunt your memory

The nights when you don't sleep
the whole night you're crying
You just can't forget her
soon you even stop trying
You'll walk the floor
and wear out your shoes
When you feel your heart break
you're learnin' the blues.


(Katie Melua, November 2003)


DISCOTECA BÁSICA 

CALL OFF THE SEARCH (KATIE MELUA, 2003)


(Call Off The Search – Crawling Up A Hill – The Closest Thing To Crazy – My Aphrodisiac Is You – Learnin’ The Blues – Blame It On The Moon – Belfast – I Think It’s Going To Rain Today – Mockingbird Song – Tiger In The Night – Faraway Voice – Lilac Wine)


CD editado em 3 de Novembro de 2003 (Dramatico; DRAMCD0002 )



Atenção, muita atenção a este nome, esta voz, esta imagem! Trata-se de uma das mais promissoras revelações no mundo da canção dos últimos tempos. Nascida há 19 anos na antiga União Soviética, em Georgia, Katie Melua cresceu na Irlanda do Norte, em Belfast, mudando-se depois para Londres, onde aos 15 anos ganhou um concurso televisivo interpretando a canção “Without You”, de Harry Nilsson. Fan dos Queen, Joni Mitchell, Bob Dylan, Ella Fitzgerald e sobretudo da malograda Eva Cassidy (para quem compôs uma canção de homenagem, incluída neste seu primeiro disco), Katie foi descoberta pelo compositor e produtor discográfico Mike Batt, com o qual assinou um contrato para a gravação de cinco albuns. O primeiro aqui está – um disco magnífico, recheado de belíssimas canções (metade delas com a assinatura de Batt) e harmonizando correntes musicais tão diversas como o jazz, o soul ou o blues. O cd traz ainda um video promocional com excertos de uma entrevista e algumas canções. Quer o album quer o primeiro single dele extraído (“The Closest Thing To Crazy”) entraram directamente para o 3º lugar das tabelas de venda inglesas.

Site oficial: www.katiemelua.com

PENSAMENTO DO DIA 

Se não consegues convencê-los, confunde-os.

sábado, novembro 01, 2003

ESCUTA PERMANENTE 

ATTICS OF MY LIFE
(Robert Hunter/Jerry Garcia)

In the attics of my life, full of cloudy dreams unreal.
Full of tastes no tongue can know, and lights no eyes can see.
When there was no ear to hear, you sang to me.

I have spent my life seeking all that's still unsung.
Bent my ear to hear the tune, and closed my eyes to see.
When there was no strings to play, you played to me.

In the book of love's own dream, where all the print is blood.
Where all the pages are my days, and all the lights grow old.
When I had no wings to fly, you flew to me, you flew to me.

In the secret space of dreams, where I dreaming lay amazed.
When the secrets all are told, and the petals all unfold.
When there was no dream of mine, you dreamed of me.


(The Grateful Dead, 1970, Novembro)

DISCOTECA BÁSICA 

WORKINGMAN’S DEAD (GRATEFUL DEAD, 1970)


(Uncle John’s Band – High Time – Dire Wolf – New Speedway Boogie – Cumberland Blues – Black Peter – Easy Wind – Casey Jones)

LP editado em 14 de Junho de 1970 nos EUA (Warner Bros,1869; #27)
LP editado em Setembro de 1970 na GB (Warner Bros, 1869)
CD remasterizado (HDCD) editado em 10 de Março de 2003 (Rhino 8122743962), com os seguintes temas adicionais: New Speedway Boogie (alternate mix), Dire Wolf (live), Black Peter (live), Easy Wind (live), Cumberland Blues (live), Mason’s Children (live) e Uncle John’s Band (live)


AMERICAN BEAUTY (GRATEFUL DEAD, 1970)


(Box Of Rain – Friend Of The Devil – Sugar Magnolia – Operator – Candyman – Ripple – Brokedown Palace – Till The Morning Comes – Attics Of My Life – Truckin’)

LP editado em Novembro de 1970 nos EUA (Warner Bros, 1893; #30)
LP editado em Dezembro de 1970 na GB (Warner Bros, 1893)
CD remasterizado (HDCD) editado em 10 de Março de 2003 (Rhino 8122743972), com os seguintes temas adicionais: Truckin’ (single version), Friend Of The Devil (live), Candyman (live) e Till The Morning Comes (live)

Nestes dois albuns separados apenas por seis meses, os Dead enveredam por novas sonoridades, surpreendendo tudo e todos. O psicadelismo e as longas improvisações dos últimos anos da década de 60 dão lugar a um punhado de canções breves, enraizadas na música tradicional americana, como o folk, o blues ou o country. Aproximam-se melodicamente do universo então muito em voga de grupos como os Crosby, Stills, Nash & Young e conseguem deste modo ganhar novas legiões de fans em todo o mundo. Julgo até que foram estes dois albuns que acabaram de vez com a dicotomia existente até essa altura, entre os que idolatravam ou simplesmente detestavam os Grateful Dead. A partir dali deixou de haver razão apenas para o 8 ou o 80 e os extremos foram aproximando-se cada vez mais. Trinta anos depois estes dois albuns, harmonicamente muito belos, continuam a ouvir-se com um sorriso de felicidade nos lábios, sobretudo o segundo, que se mantém como uma das obras-primas absolutas do universo pop/rock.

PENSAMENTO DO DIA 

Em assuntos de amor são os loucos quem tem mais experiência.
Sobre o amor, não perguntes nada aos sensatos: os sensatos amam sensatamente, o que equivale a nunca ter amado.

ESCUTA PERMANENTE 

ALL ALONG THE WATCHTOWER
(Bob Dylan)

"There must be some way out of here," said the joker to the thief,
"There's too much confusion, I can't get no relief.
Businessmen, they drink my wine, plowmen dig my earth,
None of them along the line know what any of it is worth."

"No reason to get excited," the thief, he kindly spoke,
"There are many here among us who feel that life is but a joke.
But you and I, we've been through that, and this is not our fate,
So let us not talk falsely now, the hour is getting late."

All along the watchtower, princes kept the view
While all the women came and went, barefoot servants, too.

Outside in the distance a wildcat did growl,
Two riders were approaching, the wind began to howl.


(Jimi Hendrix Experience, 1968)

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